A minha jornada começou em Portugal, onde vivi a maior parte da minha vida. Passei os dias da minha infância a sonhar acordada. Entre ideias, lugares e tantas paixões diferentes, eu queria ser e viver tudo.

Crescer não foi fácil. A falta de amor-próprio sempre foi a minha maior constante. Em adolescente aprendi a odiar o meu corpo e a desejar com todas as minhas forças que ele fosse diferente. Passei anos a tentar mudá-lo e a esconde-lo por debaixo de camadas de roupa. Até que deixou de ser somente ódio pelo meu corpo e passou a ser ódio por mim inteira. Existia uma voz constante que me dizia que havia algo de errado comigo, que de alguma forma eu era inadequada, estranha, errada. Que eu nunca seria boa suficiente, por mais que tentasse.

E eu acreditei nessa voz...

Foi nessa altura que, sem me aperceber, a ansiedade começou a manifestar-se na minha vida até silenciosamente evoluir para um distúrbio psicológico que me fez arrancar o meu próprio cabelo de forma compulsiva. E embora o fizesse de forma inconsciente, a verdade é que não conseguia parar. Como se não tivesse controlo sobre mim ou sobre a minha vida.

 

Sentia-me completamente perdida em todas as áreas da minha vida. Não sabia muito bem quem era nem qual seria o meu propósito. Haviam tantas coisas que queria ser, experienciar, viver. Ao longo de anos perdi conta às vezes em que mudei de ideias e  experimentei coisas diferentes. Depois de me apaixonar pelo mundo e querer ser viajante, de estudar biologia para estudar os oceanos, de mudar para o curso de enfermagem para ajudar pessoas, de tirar um curso de fotografia, outro de maquilhagem, a verdade é que durante anos perdi a conta às vezes em que mudei de ideias e de caminho. Perdi conta às coisas diferentes que fui experimentando, sempre em busca de me encontrar mais um pouco em cada uma delas.

A única certeza que tinha dentro de mim é que todos temos dentro de nós algo de único e especial para partilhar com o mundo, e eu sentia-me a transbordar. Sentia que havia tanto na minha alma para partilhar. Só não sabia bem como, de que forma, ou qual seria o caminho. Sonhava com um mundo onde toda a gente vivesse em plena harmonia e de coração bem aberto.

Este sonho trouxe-me até uma das profissões mais bonitas do mundo, a enfermagem. E apesar de nunca ter feito parte dos meus planos tornar-me enfermeira, hoje sei que fazia parte do meu caminho. Queria dedicar a minha vida ajudar pessoas, a curar pessoas, talvez porque lá no fundo, também eu precisava de ajuda, também eu precisava de cura.

Acabei por deparar-me com uma realidade de que só queria fugir.

Sentia-me sozinha e aquele sonho que tinha em ajudar pessoas era bem mais difícil do que estava à espera. Talvez não estivesse destinada a ser enfermeira...talvez não fosse para mim.

A minha ansiedade ficou pior do que nunca. Entre insónias e pensamentos tóxicos, começei também a ter ataques de pânico. Houve momentos em que pensei que iria morrer, e outros em que sinceramente, desejei que isso acontecesse.

Apesar de viver um ataque de pânico, apesar de ter sido a experiência mais assustadora que já experienciei foi também o início da jornada mais bonita da minha vida: a de descoberta, cura e transformação.

Lembro-me dos longos diálogos que tinha comigo mesma em que me questionava porque é que tudo aquilo estava a acontecer. Porquê a mim?

E de vezes sem conta ouvir a minha própria intuição dizer-me: porque há algo importante que tens de aprender aqui, algo que te vai mudar para sempre.

E talvez a única coisa que tinha de fazer era simplesmente confiar nessa voz. Apercebi-me que havia sempre uma dualidade dentro de mim, que eu era feita de opostos, de contrastes: o caos e a harmonia, a luz e a escuridão, a voz do medo e a do coração. Somos feitos de ambos e um não existe sem o outro, apenas decidimos a qual é que prestamos mais atenção, qual é que deixamos que tome as decisões, qual deixamos que nos guie no nosso caminho. E eu não queria mais que fosse o medo.

Estava na hora de me deixar ser guiada pelo coração.

A minha ansiedade, insónias, ataques de pânico, a minha busca incessante por respostas, um emprego que não me preenchia, uma rejeição pelo meu corpo e por mim mesma. Eu sabia que algo tinha de mudar.

No final de 4 anos e com um diploma na mão, a verdade é que as mesmas perguntas permaneciam: mas afinal, quem sou eu e porque estou aqui?

Algo forte dentro de mim me dizia que para encontrar todas estas respostas que eu tão desesperadamente procurava precisava de sair completamente da minha zona de conforto. Havia todo um mundo lá fora por descobrir e eu estava disposta a aprender todas as lições que o Universo tinha para me ensinar.

Com uma mala e cheia de sonhos mudei-me para o Reino Unido, completamente sozinha. Era como se uma força invisível me puxasse para o desconhecido, e mesmo sem saber onde me iria levar, estava disposta a arriscar.

Não sei bem  como, mas eu sempre soube que um dia o iria fazer. Cresci fascinada com o mundo. Queria viver em todos os sítios, conhecer todas as pessoas, falar todas as línguas. Sentia que tudo o que a minha alma precisava era de expansão, de evolução. de crescimento.

Podia-vos dizer que seguir os nossos sonhos é sempre um caminho mágico e incrível, mas na verdade nem sempre é. Por detrás de sonhos há sempre lutas, desilusões e muitos, muitos desafios. E só quem tem coragem para os viver é que realmente sabe tudo o que está por detrás de cada um deles.

No meu primeiro ano em Inglaterra pensei todos os dias em largar tudo e voltar.

A maior parte dos meus dias eram passados no hospital onde presenciava aquele que era, muito provavelmente, o pior momento da vida de uma pessoa. Presenciei todas as suas fragilidades e arrependimentos. Vi-a a de um momento para o outro deixar de ter mais tempo. E quando deixamos de ter mais tempo, conseguimos ver tudo à nossa frente com mais clareza, como se de repente, o essencial fica bem à nossa frente, sem qualquer filtro. Nada nos prepara para lidar com a doença e a morte.

Foi preciso primeiro perder-me e colapsar por completo, para poder   renascer novamente.

A verdade é que são os momentos de fraqueza que nos (re)constroem sempre mais fortes e estáveis do que a última vez. São eles que que revelam tesouros desconhecidos enterrados em nós. É perante uma dor inimaginável que aprendemos de que realmente somos feitos e descobrimos forças sobrenaturais que jamais sonhamos ter.

Foi só quando deixei de acreditar que tudo estava contra mim e que na realidade tudo estava a meu favor é que tudo começou a mudar. Embarquei numa jornada para a vida toda, sem qualquer meta final.

Decisão atrás de decisão, ao longo do tempo, fui transformando-me. E quando nos transformamos, tudo o resto à nossa volta acompanha essa transformação.

Agora a contar a minha história, apercebo-me do longo caminho que percorri até aqui. Fiz as pazes comigo mesma e acabei por me apaixonar perdidamente não só pelo meu corpo, mas por mim tal e qual como sou. Aprendi a encontrar calma e paz nas coisas mais simples e a ver todo à minha volta com profunda gratidão. Aprendi a viver em harmonia com a minha ansiedade e a aceitá-la como parte de mim, sem ter de lutar constantemente contra ela. E nunca mais voltei a ter ataques de pânico.

Talvez seja mesmo isto viver. Uma jornada infinita de expansão e descoberta que nos traz cada vez mais perto de quem verdadeiramente somos.

Sempre que o nosso mundo parece tremer, é o  universo  a testar a nossa força e limites, para nos obrigar a crescer para além deles.

Depois de viver tudo isto sentia dentro de mim que precisava de partilhar esta mensagem. Queria ajudar pessoas a também elas transformarem as suas vidas, a apaixonarem perdidamente por elas próprias e a encontrarem a sua paz e a sua harmonia, mesmo perante todos os contrastes que fazem parte de cada um de nós.

 

Foi quando ganhei clareza na minha mensagem que tudo o resto começou a acontecer. O coaching apareceu na minha vida, inesperadamente e sem qualquer aviso prévio, e o meu coração teve naquele momento todas as certezas do caminho que queria seguir. Chorei durantes horas, parecia que tudo o que tinha vivido fazia sentido e que de alguma forma tinha sido guiada até aqui.

É incrível como a vida flui quando descobrimos quem somos e que mensagem queremos partilhar com o mundo. Quando sabemos que estamos aqui com uma missão muito maior do que nós.

Parecia que o  universo tinha planeado cuidadosamente todo o meu caminho e todos os desafios que fui encontrando nele. Todos eles foram necessários à minha expansão, todos eles me permitiram chegar à minha forma mais livre e verdadeira.

Hoje, ainda a percorrer a minha infinita jornada de descoberta e transformação, ajudo mulheres a percorrer também a sua. Para que também elas possam encontrar toda a beleza e magia que habita dentro delas. Para que também elas acreditem que tudo é possível e que não existem limites para os seus sonhos. Para que também elas honrem a sua história tão bonita e única e para que não tenham de fazer este caminho sozinhas.

Eu quero mostrar-te que és capaz de coisas   extraordinárias, mesmo que tu ainda não o saibas.

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